{"id":820,"date":"2017-02-14T17:29:49","date_gmt":"2017-02-14T19:29:49","guid":{"rendered":"http:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/?p=820"},"modified":"2017-04-04T12:02:08","modified_gmt":"2017-04-04T15:02:08","slug":"o-cao-peregrino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/blog\/2017\/02\/14\/o-cao-peregrino\/","title":{"rendered":"O C\u00e3o Peregrino"},"content":{"rendered":"<p>O C\u00e3o Peregrino por Val\u00e9ria Gon\u00e7alvez<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Val\u00e9ria \u00e9 o meu nome, nasci em Jundia\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo. Comecei a trabalhar aos treze anos como balconista em uma loja de fotografia. Sou muito grata por meu primeiro emprego estar diretamente ligado a fotografia. Nunca tivemos at\u00e9 esta \u00e9poca uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica em casa, por isso, quando comprei a primeira c\u00e2mera, aos 15 anos, foi uma conquista muito comemorada. A companhia dela deu um outro sentido \u00e0 minha vida. A partir da\u00ed comecei a contar hist\u00f3rias. Primeiro da minha fam\u00edlia, depois dos meus passeios e, finalmente, das pessoas que me contratavam. Passei por diversas reda\u00e7\u00f5es de jornais num per\u00edodo de mais de 15 anos at\u00e9 chegar onde estou, contadora de hist\u00f3rias de amor.<\/p>\n<p>Aos 42 anos senti que era preciso dar uma pausa, fazer algo para mim, precisava sair de tr\u00e1s da c\u00e2mera e olhar meu interior, ent\u00e3o, coloquei na minha agenda um per\u00edodo de f\u00e9rias, 30 dias em Junho. N\u00e3o sei porque escolhi este m\u00eas, acho porque era mar\u00e7o ainda. Esses 30 dias em maio j\u00e1 haviam reduzido para 15 e, antes que eu desistisse da ideia de descanso, uma parceira de trabalho me convidou para uma viagem ao \u2018Caminho da F\u00e9\u2019, trajeto do qual eu nunca tinha ouvido falar.<\/p>\n<p>Quando se abre para o desconhecido algo surpreendente pode acontecer. Esta \u00e9 a minha hist\u00f3ria, uma peregrina em sua primeira jornada no Caminho da F\u00e9 \u2013 Brasil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-770\" src=\"http:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0977-3.jpg\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0977-3.jpg 1024w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0977-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0977-3-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/p>\n<p>O Tio da Milena, minha companheira no Caminho da F\u00e9, me mandou um presente: era um bambu que ele cortou, lixou e me enviou sem ao menos me conhecer. No dia 12 de Junho de 2016, ent\u00e3o, eu chegava na Esta\u00e7\u00e3o Parada Inglesa do metr\u00f4 com minha mochila de 9 quilos, minha bota de caminhada e o bambu que ganhei de presente, uma esp\u00e9cie de cajado. Confesso que a \u00fanica coisa que me deixava sem gra\u00e7a era o meu cajado. Pensei em n\u00e3o lev\u00e1-lo, mas n\u00e3o seria nada simp\u00e1tico com o tio&#8230;.ent\u00e3o eu o levei torcendo para que o motorista da Via\u00e7\u00e3o que me levaria at\u00e9 \u00c1guas da Prata impedisse seu embarque, coisa que n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Chegando na cidade, minha amiga Milena j\u00e1 me aguardava. Ela era muito organizada, j\u00e1 tinha preparado um roteiro das cidades onde ir\u00edamos pernoitar e eu, como n\u00e3o havia preparado nada, aceitei o roteiro dela, sem questionamentos. S\u00f3 depois percebi que cada pessoa tem seu ritmo e durante o caminho comecei a me interessar e ajud\u00e1-la nesta tarefa.<\/p>\n<p>Caminhar por 32 km no primeiro dia at\u00e9 Andradas-MG foi um choque de realidade. Eu n\u00e3o havia me preparado fisicamente e, ent\u00e3o, me deparei com a maior dor que j\u00e1 senti, fiquei com tanto medo, n\u00e3o do\u00eda s\u00f3 meu corpo, a alma latejava e antes que eu paralisasse de repente me vi sozinha.\u00a0 Milena tinha um ritmo muito bom. Havia mais um peregrino chamado Raf\u00e3o que tamb\u00e9m me ultrapassou. Eu queria gritar para eles me esperarem, por\u00e9m n\u00e3o tinha for\u00e7as. Meus passos eram t\u00e3o curtos&#8230; Comecei a rezar, com tanta f\u00e9, quando de repente um anjo apareceu,\u00a0 ele era o peregrino Gustavo. Era sua quinta peregrina\u00e7\u00e3o, ele tinha um ritmo incr\u00edvel, um condicionamento f\u00edsico de admirar, podia me passar anos luz, por\u00e9m em vez disso ele come\u00e7ou a andar do meu lado, com os passos t\u00e3o pequenos quanto os meus e, a partir da\u00ed, n\u00e3o sei como cheguei a Andradas. N\u00e3o sei \u00a0tamb\u00e9m como acordei disposta a continuar no dia seguinte, para mim foi um milagre e ent\u00e3o resolvi viver um momento de cada vez. N\u00e3o quis me preocupar com os desafios que viriam e sim viver cada momento assim como os passinhos que me levaram at\u00e9 onde estava.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 feito de encontros e despedidas e num certo momento nos despedimos dos dois peregrinos e continuamos nossa jornada. Essa despedida s\u00f3 aconteceu ap\u00f3s muitas risadas, papo s\u00e9rio, bolhas nos p\u00e9s, sede, coisas que aprendemos a valorizar. Cada cidade que conquist\u00e1vamos era uma vit\u00f3ria, at\u00e9 que quando eu j\u00e1 me acostumava com o caminho algo novo aconteceu.<\/p>\n<p>Era muito cedo na cidade de Estiva- MG, durante o caf\u00e9 da manh\u00e3 na Pousada do Poka, eu apreciava o nascer do sol laranja que iluminava o horizonte. Era um sentimento de abra\u00e7o naquela manh\u00e3 de inverno, agradeci a Deus e a Nossa Sra. Aparecida por ter chegado at\u00e9 ali, pela oportunidade de fazer algo diferente na minha vida. Eu sorria, tudo parecia leve, mesmo a dor j\u00e1 n\u00e3o importava, o meu sentimento de gratid\u00e3o era minha cura.<\/p>\n<p>No caminho para Consola\u00e7\u00e3o, avistamos dois c\u00e3es e eles vieram nos cumprimentar com um tradicional abra\u00e7o canino! \u2018Oi amiguinhos\u2019, n\u00f3s retribu\u00edmos \u2013 \u2018Tchau amiguinhos\u2019 e continuamos\u2026. s\u00f3 que um deles n\u00e3o aceitou a despedida. Era um macho, preto com uma manchinha branca bem pequena no pesco\u00e7o, olhos castanhos, porte m\u00e9dio, estilo atleta pois s\u00f3 tinha m\u00fasculos, n\u00e3o possu\u00eda identifica\u00e7\u00e3o, com seu olhar penetrante e um sorriso de puro amor, deu uma flechada em nossos cora\u00e7\u00f5es. Mesmo com esse sentimento resolvemos que ele n\u00e3o poderia nos seguir, pois sab\u00edamos que n\u00e3o era certo, ent\u00e3o lutamos com nossas armas, eu mais do que a Milena, acredito! Bati com o cajado no ch\u00e3o com voz de um ser muito bravo, quis mostrar que eu era uma animal maior e cheio de f\u00faria. Me senti feliz quando ele recuou, acho que at\u00e9 comemorei minha estrat\u00e9gia, afinal eu n\u00e3o queria chegar em Aparecida com uma matilha.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-769\" src=\"http:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0939-4.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0939-4.jpg 1024w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0939-4-300x169.jpg 300w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0939-4-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Chegou um momento no caminho que ter\u00edamos que atravessar a Rodovia Fern\u00e3o Dias. Tinha uma passarela para isso, por\u00e9m, ao olhar para tr\u00e1s, vi o c\u00e3ozinho nos seguindo de longe, caminhando na beira da Rodovia, meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode aguentar a possibilidade dele ser atropelado, ent\u00e3o, deixei que ele nos seguisse at\u00e9 o outro lado de forma segura e sem susto, afinal ele estava com um p\u00e9 atr\u00e1s comigo depois de conhecer a minha vers\u00e3o monstra.<\/p>\n<p>Quando senti que ele estava seguro, novamente tentei ignor\u00e1-lo, afinal n\u00e3o t\u00ednhamos andado muito e existia a possibilidade dele estar em casa, ele parecia esperto e a qualquer momento ent\u00e3o tomaria seu caminho.<\/p>\n<p>Durante um tempo um sil\u00eancio muito grande nos acompanhou, na maior parte do tempo o c\u00e3o caminhava na nossa frente como j\u00e1 conhecesse o caminho e, \u00e0s vezes olhava para tr\u00e1s para conferir a nossa presen\u00e7a. Era inverno, mas o sol estava forte e paramos para tirar as blusas que eram essenciais durante a manh\u00e3 e dispens\u00e1veis durante todo o dia e no final da tarde voltavam a ter import\u00e2ncia. O c\u00e3o era muito observador e percebeu que precisava nos esperar, ent\u00e3o cavou um buraco do seu comprimento at\u00e9 aparecer uma terra mais \u00famida, deitou bem ali e ficou a nossa espera. N\u00f3s olhamos uma para outra ainda em sil\u00eancio, mas aquele olhar que diz a mesma coisa.<\/p>\n<p>Como era um lugar sem \u00e1rvores resolvemos prosseguir sem descanso, elogiamos ele pela obra de contens\u00e3o de calor, muito esperto da parte dele, mas vamos continuar, tchauzinho!<\/p>\n<p>Ele levantou a cabe\u00e7a, depois o corpo, abandonou sua obra e continuou a caminhada ao nosso lado, sem cerim\u00f4nia. Nesta altura n\u00f3s j\u00e1 nos preocup\u00e1vamos se ele tinha fome e especialmente sede. Sab\u00edamos que aliment\u00e1-lo seria uma aproxima\u00e7\u00e3o muito grande, por\u00e9m o que fazer? A Milena pegou um pote com um suplemento que levou e que n\u00e3o usou, liberou o recipiente e dividimos nossa \u00e1gua com ele. S\u00f3 que para nossa decep\u00e7\u00e3o ele n\u00e3o quis tomar nossa \u00e1gua\u2026.como assim?? Que desfeita pensamos!<\/p>\n<p>Logo mais a frente a nossa direita tinha um c\u00f3rrego e formava uma po\u00e7a d\u00b4agua, nosso companheiro mergulhou, bebeu daquela \u00e1gua, se refrescou e n\u00f3s ficamos l\u00e1 felizes com a alegria dele! Nos perguntamos, ser\u00e1 que ele sabia que tinha essa fonte de \u00e1gua e por isso recusou a nossa?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-774\" src=\"http:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1026-3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1026-3.jpg 1024w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1026-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1026-3-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>A gente conversava com ele, imaginem duas mulheres que gostam de falar, achamos o cara perfeito para tagarelar sem parar, afinal ele n\u00e3o reclamava e de vez enquanto usava a estrat\u00e9gia masculina de fingir uma surdez moment\u00e2nea.<\/p>\n<p>Como a gente tinha tempo resolvemos escolher um nome para ele, num momento de descanso testamos todos os nomes poss\u00edveis para um c\u00e3o do seu estilo\u2026a gente usou a criatividade come\u00e7ando por Pel\u00e9 rsssss e passamos por diversos nomes e ele prestava aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o de um jeito de quando voc\u00ea acerta, at\u00e9 o momento que deu um sono e ele dormiu profundamente.<\/p>\n<p>Acorda Peregrino!! Falamos sem pensar, saiu assim naturalmente, ele levantou-se no mesmo momento e balan\u00e7ou o rabo t\u00e3o r\u00e1pido. Encontramos um nome para ele que felicidade!!!! Peperereperepepe\u2026 Peperereperepepe\u2026.. Peperereperepepe..seguimos cantando.<\/p>\n<p>C\u00e3o Peregrino, voc\u00ea \u00e9 o nosso guardi\u00e3o enquanto caminharmos juntos, voc\u00ea \u00e9 um anjo enviado por Deus para nos acompanhar, duas mulheres no Caminho da F\u00e9, com certeza ele era um anjo que em algum momento iria embora sem despedidas.<\/p>\n<p>Agir dessa maneira deu uma leveza, n\u00e3o tinha planos afinal, cada bom dia e boa noite eram tratados com exclusividade, coisa que eu queria levar para meu trabalho e na minha vida pessoal. Foi assim que entendi a beleza de cada momento sem querer adivinhar o futuro ou for\u00e7ar para que as coisas aconte\u00e7am.<\/p>\n<p>Foram 170 km na companhia do C\u00e3o Peregrino, no Caminho encontramos muita generosidade para com ele, em v\u00e1rias hospedarias ele foi recebido t\u00e3o bem e com tanto amor e ele retribu\u00eda com sorrisos, pulos e latidos de alegria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-772\" src=\"http:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0986-3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0986-3.jpg 768w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_0986-3-263x300.jpg 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Quando a gente achava que as surpresas haviam terminado conhecemos a francesa Emmanuelle. Foi um desafio nos comunicarmos com ela, era nosso desafio e o dela tamb\u00e9m. Formamos um quarteto a partir de Campos do Jord\u00e3o at\u00e9 Aparecida.<\/p>\n<p>E o futuro do C\u00e3o Peregrino? O que acontece depois da nossa chegada a Aparecida\u2026..essas d\u00favidas come\u00e7aram a nos assombrar conforme nos aproxim\u00e1vamos, mas a gente n\u00e3o estava t\u00e3o bem deixando a vida acontecer?<\/p>\n<p>Orai e Vigiai\u2026.Temos que ter consci\u00eancia da nossa fraqueza, uma luz acendeu nestes quase 15 dias de peregrina\u00e7\u00e3o, por\u00e9m era um exerc\u00edcio que n\u00e3o acabava ali, era preciso confiar na providencia.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia de percurso, liguei para o meu marido, ele sabia da hist\u00f3ria do c\u00e3o, por\u00e9m em nenhum momento havia me encorajado a adot\u00e1-lo, muito pelo contr\u00e1rio. Por\u00e9m naquele dia ao ligar, ele me perguntou sobre o que far\u00edamos com o cachorro, eu respondi que ainda n\u00e3o sab\u00edamos a resposta, a \u00fanica coisa que t\u00ednhamos certeza que n\u00e3o o deixar\u00edamos em Aparecida. Ent\u00e3o foi quando ele me falou\u2026.\u2019se seu cora\u00e7\u00e3o disser que voc\u00ea deve lev\u00e1-lo para casa, voc\u00ea est\u00e1 livre para escolher, eu vou at\u00e9 Aparecida buscar voc\u00eas se for essa sua decis\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>Naquele momento um filme passou pela minha cabe\u00e7a, o quanto a companhia dele me fez bem. Ele me ensinou a apreciar o caminho, ele me despertou o sentimento de viver o momento, ele me deu o prop\u00f3sito que eu tanto precisava.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-775\" src=\"http:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1031-2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1031-2.jpg 768w, https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_1031-2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>O meu marido n\u00e3o precisou sair de S\u00e3o Paulo para nos buscar em Aparecida. Um Biciclino chamado Carlos que nos conheceu no Caminho, acompanhou nossa chegada pelas m\u00eddias sociais me mandou uma mensagem se oferecendo para nos levar at\u00e9 S\u00e3o Paulo. Tudo isso aconteceu no \u00faltimo dia, na chegada \u00e0 casa de Nossa Sra Aparecida.<\/p>\n<p>Hoje tenho a alegria da sua companhia, em casa descobrimos o quanto o C\u00e3o Peregrino pode nos ensinar. Todas as vezes que fico ansiosa, preocupada ou desapontada, tenho no c\u00e3o peregrino um alerta para n\u00e3o desviar do Caminho, n\u00e3o for\u00e7ar um acontecimento e sim agir com mais leveza e gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Ah! Sabem aquele meu Cajado Bambu? Pois \u00e9, ele virou extens\u00e3o do meu corpo, t\u00e3o importante para mim que certa vez eu o esqueci em uma de nossas paradas. Fui me dar conta uns 2km depois, sentia que algo me faltava, eu n\u00e3o tive nenhuma d\u00favida em retornar para busc\u00e1-lo e fiquei rezando para estar l\u00e1! A Milena, a Francesa e o c\u00e3o Peregrino ficaram me esperando junto com a minha mochila. Foram 4km para resgat\u00e1-lo!<\/p>\n<p>As vezes a gente deixa de abrir aquela garrafa de vinho, estourar aquele espumante, pedir perd\u00e3o, dar aquele abra\u00e7o, dizer o quanto amamos, contemplar a paisagem porque estamos \u00e0 espera do grande momento, da grande conquista e deixamos de viver o agora!<\/p>\n<p>Para acompanhar o c\u00e3o Peregrino siga-o no Instagram @dog_peregrino<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O C\u00e3o Peregrino por Val\u00e9ria Gon\u00e7alvez &nbsp; Val\u00e9ria \u00e9 o meu nome, nasci em Jundia\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo. Comecei a trabalhar aos treze anos como balconista em uma loja de fotografia. Sou muito grata por meu primeiro emprego estar diretamente ligado a fotografia. Nunca tivemos at\u00e9 esta \u00e9poca uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica em casa, por isso, quando comprei a primeira c\u00e2mera, aos 15 anos, foi uma conquista muito comemorada. A companhia dela deu um outro sentido \u00e0 minha vida. A partir da\u00ed comecei a contar hist\u00f3rias. Primeiro da minha fam\u00edlia, depois dos meus passeios e, finalmente, das pessoas que me contratavam. Passei por diversas reda\u00e7\u00f5es de jornais num per\u00edodo de mais de 15 anos at\u00e9 chegar onde estou, contadora de hist\u00f3rias de amor. Aos 42 anos senti que era preciso dar uma pausa, fazer algo para mim, precisava sair de tr\u00e1s da c\u00e2mera e olhar meu interior, ent\u00e3o, coloquei na minha agenda um per\u00edodo de f\u00e9rias, 30 dias em Junho. N\u00e3o sei porque escolhi este m\u00eas, acho porque era mar\u00e7o ainda. Esses 30 dias em maio j\u00e1 haviam reduzido para 15 e, antes que eu desistisse da ideia de descanso, uma parceira de trabalho me convidou para uma viagem ao \u2018Caminho da F\u00e9\u2019, trajeto do qual eu nunca tinha ouvido falar. Quando se abre para o desconhecido algo surpreendente pode acontecer. Esta \u00e9 a minha hist\u00f3ria, uma peregrina em sua primeira jornada no Caminho da F\u00e9 \u2013 Brasil. O Tio da Milena, minha companheira no Caminho da F\u00e9, me mandou um presente: era um bambu que ele cortou, lixou e me enviou sem ao menos me conhecer. No dia 12 de Junho de 2016, ent\u00e3o, eu chegava na Esta\u00e7\u00e3o Parada Inglesa do metr\u00f4 com minha mochila de 9 quilos, minha bota de caminhada e o bambu que ganhei de presente, uma esp\u00e9cie de cajado. Confesso que a \u00fanica coisa que me deixava sem gra\u00e7a era o meu cajado. Pensei em n\u00e3o lev\u00e1-lo, mas n\u00e3o seria nada simp\u00e1tico com o tio&#8230;.ent\u00e3o eu o levei torcendo para que o motorista da Via\u00e7\u00e3o que me levaria at\u00e9 \u00c1guas da Prata impedisse seu embarque, coisa que n\u00e3o aconteceu. Chegando na cidade, minha amiga Milena j\u00e1 me aguardava. Ela era muito organizada, j\u00e1 tinha preparado um roteiro das cidades onde ir\u00edamos pernoitar e eu, como n\u00e3o havia preparado nada, aceitei o roteiro dela, sem questionamentos. S\u00f3 depois percebi que cada pessoa tem seu ritmo e durante o caminho comecei a me interessar e ajud\u00e1-la nesta tarefa. Caminhar por 32 km no primeiro dia at\u00e9 Andradas-MG foi um choque de realidade. Eu n\u00e3o havia me preparado fisicamente e, ent\u00e3o, me deparei com a maior dor que j\u00e1 senti, fiquei com tanto medo, n\u00e3o do\u00eda s\u00f3 meu corpo, a alma latejava e antes que eu paralisasse de repente me vi sozinha.\u00a0 Milena tinha um ritmo muito bom. Havia mais um peregrino chamado Raf\u00e3o que tamb\u00e9m me ultrapassou. Eu queria gritar para eles me esperarem, por\u00e9m n\u00e3o tinha for\u00e7as. Meus passos eram t\u00e3o curtos&#8230; Comecei a rezar, com tanta f\u00e9, quando de repente um anjo apareceu,\u00a0 ele era o peregrino Gustavo. Era sua quinta peregrina\u00e7\u00e3o, ele tinha um ritmo incr\u00edvel, um condicionamento f\u00edsico de admirar, podia me passar anos luz, por\u00e9m em vez disso ele come\u00e7ou a andar do meu lado, com os passos t\u00e3o pequenos quanto os meus e, a partir da\u00ed, n\u00e3o sei como cheguei a Andradas. N\u00e3o sei \u00a0tamb\u00e9m como acordei disposta a continuar no dia seguinte, para mim foi um milagre e ent\u00e3o resolvi viver um momento de cada vez. N\u00e3o quis me preocupar com os desafios que viriam e sim viver cada momento assim como os passinhos que me levaram at\u00e9 onde estava. O caminho \u00e9 feito de encontros e despedidas e num certo momento nos despedimos dos dois peregrinos e continuamos nossa jornada. Essa despedida s\u00f3 aconteceu ap\u00f3s muitas risadas, papo s\u00e9rio, bolhas nos p\u00e9s, sede, coisas que aprendemos a valorizar. Cada cidade que conquist\u00e1vamos era uma vit\u00f3ria, at\u00e9 que quando eu j\u00e1 me acostumava com o caminho algo novo aconteceu. Era muito cedo na cidade de Estiva- MG, durante o caf\u00e9 da manh\u00e3 na Pousada do Poka, eu apreciava o nascer do sol laranja que iluminava o horizonte. Era um sentimento de abra\u00e7o naquela manh\u00e3 de inverno, agradeci a Deus e a Nossa Sra. Aparecida por ter chegado at\u00e9 ali, pela oportunidade de fazer algo diferente na minha vida. Eu sorria, tudo parecia leve, mesmo a dor j\u00e1 n\u00e3o importava, o meu sentimento de gratid\u00e3o era minha cura. No caminho para Consola\u00e7\u00e3o, avistamos dois c\u00e3es e eles vieram nos cumprimentar com um tradicional abra\u00e7o canino! \u2018Oi amiguinhos\u2019, n\u00f3s retribu\u00edmos \u2013 \u2018Tchau amiguinhos\u2019 e continuamos\u2026. s\u00f3 que um deles n\u00e3o aceitou a despedida. Era um macho, preto com uma manchinha branca bem pequena no pesco\u00e7o, olhos castanhos, porte m\u00e9dio, estilo atleta pois s\u00f3 tinha m\u00fasculos, n\u00e3o possu\u00eda identifica\u00e7\u00e3o, com seu olhar penetrante e um sorriso de puro amor, deu uma flechada em nossos cora\u00e7\u00f5es. Mesmo com esse sentimento resolvemos que ele n\u00e3o poderia nos seguir, pois sab\u00edamos que n\u00e3o era certo, ent\u00e3o lutamos com nossas armas, eu mais do que a Milena, acredito! Bati com o cajado no ch\u00e3o com voz de um ser muito bravo, quis mostrar que eu era uma animal maior e cheio de f\u00faria. Me senti feliz quando ele recuou, acho que at\u00e9 comemorei minha estrat\u00e9gia, afinal eu n\u00e3o queria chegar em Aparecida com uma matilha. Chegou um momento no caminho que ter\u00edamos que atravessar a Rodovia Fern\u00e3o Dias. Tinha uma passarela para isso, por\u00e9m, ao olhar para tr\u00e1s, vi o c\u00e3ozinho nos seguindo de longe, caminhando na beira da Rodovia, meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode aguentar a possibilidade dele ser atropelado, ent\u00e3o, deixei que ele nos seguisse at\u00e9 o outro lado de forma segura e sem susto, afinal ele estava com um p\u00e9 atr\u00e1s comigo depois de conhecer a minha vers\u00e3o monstra. Quando senti que ele estava seguro, novamente tentei ignor\u00e1-lo, afinal n\u00e3o t\u00ednhamos andado muito e existia a possibilidade dele estar em casa, ele parecia esperto e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-experiencias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/820\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media\/770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}