{"id":5617,"date":"2021-03-08T15:26:05","date_gmt":"2021-03-08T18:26:05","guid":{"rendered":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/?p=5617"},"modified":"2021-03-08T15:31:36","modified_gmt":"2021-03-08T18:31:36","slug":"governanca-a-gestao-compartilhada-integrada-e-participativa-da-rede-trilhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/blog\/2021\/03\/08\/governanca-a-gestao-compartilhada-integrada-e-participativa-da-rede-trilhas\/","title":{"rendered":"Governan\u00e7a: A gest\u00e3o compartilhada, integrada e participativa da Rede Trilhas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<span class=\"autor-data\"><span class=\"autor\">Erick Caldas Xavier*<\/span><\/span><\/p>\n<p>Originalmente publicado em: <a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/blogs\/palmilhando\/governanca-a-gestao-compartilhada-integrada-e-participativa-da-rede-trilhas\/\">https:\/\/www.oeco.org.br\/blogs\/palmilhando\/governanca-a-gestao-compartilhada-integrada-e-participativa-da-rede-trilhas\/<\/a>[\/vc_column_text][vc_empty_space height=&#8221;15px&#8221;][vc_single_image image=&#8221;5618&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4>Com 10.500 quil\u00f4metros de trilhas planejadas e 3.500 quil\u00f4metros j\u00e1 implementadas, acolhendo de bra\u00e7os abertos mais de 8 mil participantes dentre as 90 trilhas espalhadas por todo o territ\u00f3rio nacional e com a conquista de duas portarias interministeriais (<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/guest\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/47099695\/do1-2018-10-25-portaria-conjunta-n-407-de-19-de-outubro-de-2018-47099425\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">n\u00ba407\/2018<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/portaria-conjunta-n-500-de-15-de-setembro-de-2020-277904739\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">n\u00ba500\/2020<\/a>), a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso tem pela frente o desafio de adotar um modelo de governan\u00e7a participativo, representativo, que promova o engajamento de seu coletivo ao mesmo tempo em que permita coordenar de forma coesa esta malha de trilhas em um pa\u00eds t\u00e3o diverso e imenso como o Brasil. A Associa\u00e7\u00e3o Rede Trilhas de Longo Curso (Rede Trilhas),<a href=\"http:\/\/www.redetrilhas.org.br\/w3\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">\u00a0concebida com esse prop\u00f3sito<\/a>, foi institucionalizada prevendo em seu estatuto social uma organiza\u00e7\u00e3o estruturada com assembleia geral, diretoria executiva, conselho deliberativo e conselho fiscal. Cumprida a formalidade, resta \u00e0 Rede Trilhas encontrar a sua alma, questionando-se sobre o que ela \u00e9, aonde pretende chegar e como ser\u00e1 a sua atua\u00e7\u00e3o nesta rela\u00e7\u00e3o com governos, inst\u00e2ncias estaduais e municipais, empres\u00e1rios, volunt\u00e1rios e propriet\u00e1rios de terras. A resposta, ao menos em parte, pode estar naquilo que constitui o seu corpo: as trilhas brasileiras.<\/h4>\n<h4>A ess\u00eancia do que s\u00e3o as trilhas de longo curso no Brasil pode ser percebida no exemplo di\u00e1rio e no testemunho de pessoas espalhadas pelo pa\u00eds criando oportunidades para que a sociedade possa se reconectar com a natureza. S\u00e3o em geral motivadas por um esp\u00edrito volunt\u00e1rio, pelo amor \u00e0 sua terra e pela cren\u00e7a nas trilhas de longo curso como proposta de pol\u00edtica p\u00fablica e instrumento de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Para entender o modelo de governan\u00e7a adotado por cada trilha \u00e9 preciso entender um pouco a sua g\u00eanese, a qual pode se dar tanto de forma espont\u00e2nea, como foi o caso do Caminho da F\u00e9 e da Transcarioca, quanto como objeto de pol\u00edtica p\u00fablica de Estado para o desenvolvimento do turismo regional, como ocorreu com o Caminho de Cora Coralina.<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4>O\u00a0<a href=\"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/o-caminho-da-fe\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Caminho da F\u00e9<\/a>, que completa 18 anos em 2021, teve em sua origem cinco pessoas vision\u00e1rias as quais, inspiradas em rotas peregrinas de outros cantos do mundo, conectaram o munic\u00edpio de \u00c1guas da Prata ao Santu\u00e1rio Nacional de Nossa Senhora Aparecida, ambos dentro do estado de S\u00e3o Paulo. A participa\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico municipal \u2013 por meio da cria\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o reconhecendo o Caminho e pela participa\u00e7\u00e3o direta na implementa\u00e7\u00e3o do percurso \u2013 foi condi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para que o primeiro tra\u00e7ado, feito \u00e0 r\u00e9gua sobre o mapa, se tornasse uma realidade. Para se ter uma dimens\u00e3o do tamanho do sucesso, no ano de 2019 foram registradas oficialmente 12 mil peregrina\u00e7\u00f5es. De acordo com Camila Bassi, gestora executiva do Caminho da F\u00e9, este n\u00famero pode ser bem maior considerando que muitas pessoas utilizam o percurso para viajar. Estes resultados, associados a um bom planejamento e metas claras, s\u00e3o uma importante medida, pois permitem avaliar a efici\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 da trilha, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria gest\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Soma-se \u00e0 efici\u00eancia, a legitimidade e a representatividade, como os tr\u00eas elementos-chave para uma boa governan\u00e7a. Para o presidente do Conselho do Movimento Transcarioca, Beto Mesquita, a legitimidade deve ser reconhecida pelo conjunto de atores envolvidos no processo e deve ser conquistada, sem imposi\u00e7\u00e3o, por quem se prop\u00f5e a coorden\u00e1-lo. Quanto maior a representatividade, melhor a acomoda\u00e7\u00e3o de toda a gama de sujeitos, que podem at\u00e9 ter objetivos distintos por\u00e9m, com a devida sinergia contribuem para o avan\u00e7o daquilo que possuem em comum, no caso, as trilhas de longo curso.<\/h4>\n<h4>H\u00e1 um ano, no dia tr\u00eas de mar\u00e7o de 2018, era fundada a\u00a0<a href=\"https:\/\/trilhatranscarioca.com.br\/quem-somos\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Associa\u00e7\u00e3o Trilha Transcarioca<\/a>, ato que institucionalizou um movimento de cidadania iniciado em 2013, congregou centenas de volunt\u00e1rios que zelam pelo manejo de uma das mais importantes trilhas de longo curso do pa\u00eds e que trouxe \u00e0 vida a primeira pegada amarela e preta \u2013 um cristo redentor com sua mochila pronto para caminhar \u2013 que viria a ser adotada como padr\u00e3o oficial da sinaliza\u00e7\u00e3o r\u00fastica das trilhas do Brasil. Na concep\u00e7\u00e3o da Transcarioca encontramos materializada uma tr\u00edade que inclui as unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UC), com seus gestores e volunt\u00e1rios; o Mosaico Carioca de \u00c1reas Protegidas, com seu conselho e suas c\u00e2maras t\u00e9cnicas; e o Movimento Trilha Transcarioca, que coordena centenas de volunt\u00e1rios e dezenas de adotantes de forma sin\u00e9rgica para um prop\u00f3sito em comum, o planejamento, a implanta\u00e7\u00e3o, o manejo e manuten\u00e7\u00e3o da maior trilha urbana do pa\u00eds. O sistema de governan\u00e7a \u00e9 fruto desta conjuntura e \u00e9 acolhido neste ber\u00e7o como reflexo do dinamismo da gest\u00e3o sem competir com os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;5619&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4>Diego Mendon\u00e7a, diretor financeiro do\u00a0<a href=\"https:\/\/caminhodecoracoralina.com.br\/historia\/\" rel=\"noopener nofollow external noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Caminho de Cora Coralina<\/a>, acrescenta que a transpar\u00eancia \u00e9 outra pe\u00e7a-chave para o sucesso da governan\u00e7a. O Caminho foi concebido por iniciativa do Governo do Estado de Goi\u00e1s, que descentralizou a governan\u00e7a com a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o do Caminho de Cora Coralina, que tornou o processo decis\u00f3rio mais horizontal e participativo, entre representantes do governo, empres\u00e1rios, volunt\u00e1rios e simpatizantes. Os empres\u00e1rios e guias atuam da mesma maneira que os volunt\u00e1rios no processo de implanta\u00e7\u00e3o do Caminho, ao mesmo tempo em que se dedicam em receber os visitantes e mostrar a hospitalidade da regi\u00e3o. Enquanto isso, estados e munic\u00edpios agem em conjunto por meio de acordos de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, principalmente com a implanta\u00e7\u00e3o da sinaliza\u00e7\u00e3o. Mesmo com a descentraliza\u00e7\u00e3o, a Goi\u00e1s Turismo, inst\u00e2ncia governamental respons\u00e1vel pelo fomento do turismo no estado, mant\u00e9m uma coordena\u00e7\u00e3o especificamente dedicada ao Caminho de Cora Coralina e contribui com o envolvimento das prefeituras como outros entes na governan\u00e7a do caminho.<\/h4>\n<h4>\u201cA trilha como pol\u00edtica institucionalizada, facilita a capta\u00e7\u00e3o de recursos que visam a melhoria da estrutura da trilha e a capacita\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os presentes no caminho. O papel dos volunt\u00e1rios, empres\u00e1rios e simpatizantes nas trilhas \u00e9 fundamental, contudo, quando o poder p\u00fablico local se envolve no processo, torna-se um fator capaz de contribuir para o sucesso e continuidade da trilha\u201d, destacou Diego. Para ele, o maior desafio agora \u00e9 aumentar o envolvimento da comunidade da zona rural ao longo do percurso, e segundo ele, isso se dar\u00e1 com comunica\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia nas a\u00e7\u00f5es e nas inten\u00e7\u00f5es.<\/h4>\n<h4>Cada caminho a ser trilhado tem o seu tempo e forma de nascer e de amadurecer. A Rede Brasileira de Trilhas tem se sustentado sobre alicerces fincados em solo firme, constru\u00edda de baixo para cima, pelo esfor\u00e7o individual e coletivo de pessoas comprometidas com seus respectivos territ\u00f3rios, por\u00e9m dispostas a contribuir tamb\u00e9m em um contexto mais amplo. Uma pol\u00edtica de governan\u00e7a alinhada ao interesse p\u00fablico pode dar corpo a esta trama reunindo estados e munic\u00edpios \u2013 enquanto entes federativos em seu dever de implementar pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 e as diferentes frentes cidad\u00e3s empenhadas em conectar o pa\u00eds.<\/h4>\n<h4>Apesar de n\u00e3o serem uma novidade no mundo, no contexto local as trilhas de longo curso \u2013 enquanto instrumento para o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC) e de fomento para arranjos produtivos tur\u00edsticos locais \u2013 surgem como uma estrat\u00e9gia inovadora para o desenvolvimento regional e para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza, al\u00e9m dos limites das unidades de conserva\u00e7\u00e3o. E a Rede Trilhas, enquanto governan\u00e7a nacional, tem pela frente um valioso papel de envolver em seu abra\u00e7o, com as trilhas do Brasil, um mundo de sonho, poesia e f\u00e9.<\/h4>\n<p>[\/vc_column_text][vc_empty_space height=&#8221;15px&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1615228208416{background-color: #c1c1c1 !important;}&#8221;]<\/p>\n<h3><strong>Pensar em Rede<\/strong><\/h3>\n<h4>Camila Bassi, que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela diretoria de Rotas Peregrinas junto \u00e0 Rede Trilhas, est\u00e1 \u00e0 frente de um processo junto a dire\u00e7\u00e3o chamado \u201cPensar em rede\u201d. O trabalho tem como objetivo organizar o pensamento dos envolvidos da Rede Trilhas de forma criativa buscando sua modelagem de neg\u00f3cios. \u201cNeste momento estamos desenhando e estruturando os pilares de desenvolvimento, sua forma de abordagem, m\u00e9todo de atua\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o da proposta da Rede. Por meio de um processo participativo e interativo, a dire\u00e7\u00e3o envolvida manifesta de forma livre, o seu pensar e suas ideias para com os assuntos delineados, assim com opini\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o do todo, poderemos alinhar conceitos, objetivos, vis\u00f5es e o que queremos no hoje e no amanh\u00e3 para a Rede em n\u00edvel, local, regional, estadual e nacional\u201d, explicou a diretora.<\/h4>\n<h4>Parte desse processo \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de implementa\u00e7\u00e3o da Rede pela perspectiva das Inst\u00e2ncias de Governan\u00e7a, sejam elas p\u00fablicas, institucionais ou da sociedade civil. O processo consiste no desenho da metodologia e na proposta de implementa\u00e7\u00e3o da Rede pela perspectiva do Estado, como agente indutor e ponto focal no processo de articula\u00e7\u00e3o com as inst\u00e2ncias de governan\u00e7a em seu territ\u00f3rio. A proposta est\u00e1 dispon\u00edvel no site da Rede Trilhas e pronta para ser colocada em pr\u00e1tica pelos Estados como forma de test\u00e1-la e no sentido de promover a melhora cont\u00ednua do processo.<\/h4>\n<p>[\/vc_column_text][vc_empty_space][vc_video link=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fok0xI0sgXU&amp;&#8221; align=&#8221;center&#8221;][vc_empty_space][vc_column_text]<em>*Erick Caldas Xavier \u00e9 secret\u00e1rio-geral da Rede Brasileira de Trilhas<\/em><\/p>\n<div id=\"\" class=\"su-note\"><\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Erick Caldas Xavier* Originalmente publicado em: https:\/\/www.oeco.org.br\/blogs\/palmilhando\/governanca-a-gestao-compartilhada-integrada-e-participativa-da-rede-trilhas\/[\/vc_column_text][vc_empty_space height=&#8221;15px&#8221;][vc_single_image image=&#8221;5618&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text] Com 10.500 quil\u00f4metros de trilhas planejadas e 3.500 quil\u00f4metros j\u00e1 implementadas, acolhendo de bra\u00e7os abertos mais de 8 mil participantes dentre as 90 trilhas espalhadas por todo o territ\u00f3rio nacional e com a conquista de duas portarias interministeriais (n\u00ba407\/2018\u00a0e\u00a0n\u00ba500\/2020), a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso tem pela frente o desafio de adotar um modelo de governan\u00e7a participativo, representativo, que promova o engajamento de seu coletivo ao mesmo tempo em que permita coordenar de forma coesa esta malha de trilhas em um pa\u00eds t\u00e3o diverso e imenso como o Brasil. A Associa\u00e7\u00e3o Rede Trilhas de Longo Curso (Rede Trilhas),\u00a0concebida com esse prop\u00f3sito, foi institucionalizada prevendo em seu estatuto social uma organiza\u00e7\u00e3o estruturada com assembleia geral, diretoria executiva, conselho deliberativo e conselho fiscal. Cumprida a formalidade, resta \u00e0 Rede Trilhas encontrar a sua alma, questionando-se sobre o que ela \u00e9, aonde pretende chegar e como ser\u00e1 a sua atua\u00e7\u00e3o nesta rela\u00e7\u00e3o com governos, inst\u00e2ncias estaduais e municipais, empres\u00e1rios, volunt\u00e1rios e propriet\u00e1rios de terras. A resposta, ao menos em parte, pode estar naquilo que constitui o seu corpo: as trilhas brasileiras. A ess\u00eancia do que s\u00e3o as trilhas de longo curso no Brasil pode ser percebida no exemplo di\u00e1rio e no testemunho de pessoas espalhadas pelo pa\u00eds criando oportunidades para que a sociedade possa se reconectar com a natureza. S\u00e3o em geral motivadas por um esp\u00edrito volunt\u00e1rio, pelo amor \u00e0 sua terra e pela cren\u00e7a nas trilhas de longo curso como proposta de pol\u00edtica p\u00fablica e instrumento de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Para entender o modelo de governan\u00e7a adotado por cada trilha \u00e9 preciso entender um pouco a sua g\u00eanese, a qual pode se dar tanto de forma espont\u00e2nea, como foi o caso do Caminho da F\u00e9 e da Transcarioca, quanto como objeto de pol\u00edtica p\u00fablica de Estado para o desenvolvimento do turismo regional, como ocorreu com o Caminho de Cora Coralina. O\u00a0Caminho da F\u00e9, que completa 18 anos em 2021, teve em sua origem cinco pessoas vision\u00e1rias as quais, inspiradas em rotas peregrinas de outros cantos do mundo, conectaram o munic\u00edpio de \u00c1guas da Prata ao Santu\u00e1rio Nacional de Nossa Senhora Aparecida, ambos dentro do estado de S\u00e3o Paulo. A participa\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico municipal \u2013 por meio da cria\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o reconhecendo o Caminho e pela participa\u00e7\u00e3o direta na implementa\u00e7\u00e3o do percurso \u2013 foi condi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para que o primeiro tra\u00e7ado, feito \u00e0 r\u00e9gua sobre o mapa, se tornasse uma realidade. Para se ter uma dimens\u00e3o do tamanho do sucesso, no ano de 2019 foram registradas oficialmente 12 mil peregrina\u00e7\u00f5es. De acordo com Camila Bassi, gestora executiva do Caminho da F\u00e9, este n\u00famero pode ser bem maior considerando que muitas pessoas utilizam o percurso para viajar. Estes resultados, associados a um bom planejamento e metas claras, s\u00e3o uma importante medida, pois permitem avaliar a efici\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 da trilha, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria gest\u00e3o. Soma-se \u00e0 efici\u00eancia, a legitimidade e a representatividade, como os tr\u00eas elementos-chave para uma boa governan\u00e7a. Para o presidente do Conselho do Movimento Transcarioca, Beto Mesquita, a legitimidade deve ser reconhecida pelo conjunto de atores envolvidos no processo e deve ser conquistada, sem imposi\u00e7\u00e3o, por quem se prop\u00f5e a coorden\u00e1-lo. Quanto maior a representatividade, melhor a acomoda\u00e7\u00e3o de toda a gama de sujeitos, que podem at\u00e9 ter objetivos distintos por\u00e9m, com a devida sinergia contribuem para o avan\u00e7o daquilo que possuem em comum, no caso, as trilhas de longo curso. H\u00e1 um ano, no dia tr\u00eas de mar\u00e7o de 2018, era fundada a\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Trilha Transcarioca, ato que institucionalizou um movimento de cidadania iniciado em 2013, congregou centenas de volunt\u00e1rios que zelam pelo manejo de uma das mais importantes trilhas de longo curso do pa\u00eds e que trouxe \u00e0 vida a primeira pegada amarela e preta \u2013 um cristo redentor com sua mochila pronto para caminhar \u2013 que viria a ser adotada como padr\u00e3o oficial da sinaliza\u00e7\u00e3o r\u00fastica das trilhas do Brasil. Na concep\u00e7\u00e3o da Transcarioca encontramos materializada uma tr\u00edade que inclui as unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UC), com seus gestores e volunt\u00e1rios; o Mosaico Carioca de \u00c1reas Protegidas, com seu conselho e suas c\u00e2maras t\u00e9cnicas; e o Movimento Trilha Transcarioca, que coordena centenas de volunt\u00e1rios e dezenas de adotantes de forma sin\u00e9rgica para um prop\u00f3sito em comum, o planejamento, a implanta\u00e7\u00e3o, o manejo e manuten\u00e7\u00e3o da maior trilha urbana do pa\u00eds. O sistema de governan\u00e7a \u00e9 fruto desta conjuntura e \u00e9 acolhido neste ber\u00e7o como reflexo do dinamismo da gest\u00e3o sem competir com os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o. [\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;5619&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text] Diego Mendon\u00e7a, diretor financeiro do\u00a0Caminho de Cora Coralina, acrescenta que a transpar\u00eancia \u00e9 outra pe\u00e7a-chave para o sucesso da governan\u00e7a. O Caminho foi concebido por iniciativa do Governo do Estado de Goi\u00e1s, que descentralizou a governan\u00e7a com a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o do Caminho de Cora Coralina, que tornou o processo decis\u00f3rio mais horizontal e participativo, entre representantes do governo, empres\u00e1rios, volunt\u00e1rios e simpatizantes. Os empres\u00e1rios e guias atuam da mesma maneira que os volunt\u00e1rios no processo de implanta\u00e7\u00e3o do Caminho, ao mesmo tempo em que se dedicam em receber os visitantes e mostrar a hospitalidade da regi\u00e3o. Enquanto isso, estados e munic\u00edpios agem em conjunto por meio de acordos de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, principalmente com a implanta\u00e7\u00e3o da sinaliza\u00e7\u00e3o. Mesmo com a descentraliza\u00e7\u00e3o, a Goi\u00e1s Turismo, inst\u00e2ncia governamental respons\u00e1vel pelo fomento do turismo no estado, mant\u00e9m uma coordena\u00e7\u00e3o especificamente dedicada ao Caminho de Cora Coralina e contribui com o envolvimento das prefeituras como outros entes na governan\u00e7a do caminho. \u201cA trilha como pol\u00edtica institucionalizada, facilita a capta\u00e7\u00e3o de recursos que visam a melhoria da estrutura da trilha e a capacita\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os presentes no caminho. O papel dos volunt\u00e1rios, empres\u00e1rios e simpatizantes nas trilhas \u00e9 fundamental, contudo, quando o poder p\u00fablico local se envolve no processo, torna-se um fator capaz de contribuir para o sucesso e continuidade da trilha\u201d, destacou Diego. Para ele, o maior desafio agora \u00e9 aumentar o envolvimento da comunidade da zona rural ao longo do percurso, e segundo ele, isso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5618,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-5617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-midias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/caminhodafe.com.br\/ptbr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}